Novos Rumos

Galera, tenho o prazer e orgulho de dizer que, à partir de hoje, o Por trás da Objetiva faz parte da família Band

Estamos hospedados no portal da TV. O novo endereço é http://blogs.band.com.br/portrasdaobjetiva

Obrigado a todos

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Fotografia Básica: Iso

Admirando a paisagem, originally uploaded by André Americo.

Iso é a unidade de medida da sensibilidade do filme (ou sensor nas câmeras digitais). Quanto maior o valor, mais sensível ele é e, portanto, mais luz é absorvida.

É o último fator que controla a luz durante o clique. Normalmente, quando se tem bastante luminosidade, baixa-se o iso, e vice versa.

Como tudo na vida traz conseqüências, o iso alto provoca ruídos na imagem. Os ruídos são pontilhados, iluminações, grãos e cores “estranhas” nas imagens. É bem visível nas regiões de baixas luzes e meio tons. O iso alto também afeta a definição e a suavidade na mudança de tom das cores.

Quando se dobra o valor do iso, a luz necessária para fotografar determinada imagem cai pela metade.

Os valores mais freqüentes de iso correspondem de 100 a 1600, embora existam câmeras modernas que conseguem atingir isos de até 102.400.

Nas máquinas mais novas, é possível utilizar valores altos de iso sem muito prejuízo, já vi fotos com baixo nível de ruído fotografadas com iso 1600 em câmeras novas, da mesma forma, vi fotos com muitos grãos feitas com o mesmo valor de iso em câmeras velhas.

A minha maquina é uma Canon 5d, foi lançada em novembro de 2005. A qualidade da imagem com iso 1600 é infinitamente inferior a qualidade de uma imagem feita, nas mesmas condições, por uma Canon id Mark IV, lançada em outubro de 2009. A foto acima foi feita com uma Canon Rebel XT, também de 2005, com iso 1600

É possível utilizar o ruído proporcionado por altos isos como recurso estético, embora seja mais comum que os fotógrafos evitem ao máximo criar imagens com alta granulação.

Quer ficar craque em fotografia básica? Faça o workshop do Por trás da Objetiva

Exemplo do uso do iso alto como recurso estético

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Walker Evans e o uso dos detalhes

Allie Mae Burroughs

Walker Evans é talvez o maior expoente do cubismo na fotografia. Era um grande crítico da sociedade americana e, contratado pelo governo dos EUA, foi documentar os resultados de um programa de redução de pobreza no interior do país. Na época, os EUA acabavam de sair da Grande Depressão, que estourou em 1929. O presidente Franklin Roosevelt, queria que Evans registrasse os resultados (que ele imaginava positivos) das obras de sua política New Deal, que visava tirar o país da ruína econômica.

Evans foi à campo, e o resultado das imagens ficou longe do que Roosevelt esperava. Através da fotografia direta, característica primordial do cubismo, o fotógrafo evidenciou a tristeza e a miséria dos moradores dos estados do Sul americano (o sul, escravagista e perdedor da guerra de Secessão dos EUA, demorou um pouco mais para se se desenvolver do que os estados do norte). As imagens tornaram clara a toda a devastação moral e econômica que estava passando aquele país.

As imagens tipicamente cubistas, sempre cruas, sem qualquer tipo de manipulação, iam de encontro com os movimentos artísticos anteriores, onde os artistas abusavam de montagens, aberrações óticas e outros tipos de intervenções.

As primeiras imagens de Evans seguiam o estilo surrealista, que era a vanguarda da época. Munido de uma Leica, ele registrou as linhas e arquiteturas dos edifícios de Nova Iorque, no melhor estilo Rodchenko. Mas encontrou sua verdadeira voz na fotografia após conhecer as imagens do lendário fotógrafo francês Eugene Atget (o “fotografo dos fotógrafos”, terá um post só pra ele aqui em breve). Por influencia de Atget, Evans abandonou sua Leica e começou a fotografar com uma câmera antiga de grande formato. Foi estudando as fotografias do francês que Evans entendeu a importância do pormenor. De que os objetos podem falar muito sobre seus donos, esse conceito foi se desenvolvendo até que toda a imagem de Evans parece dizer mais do que aparenta. Cada detalhe no rosto do motivo, sempre encarando a câmera, cada objeto no fundo da cena parece estar cheio de significados implícitos. Dessa forma, Walker Evans foi o fotógrafo que aplicou de forma mais eficiente os conceitos da semiótica.

A imagem da Allie Mae Burroughs, por exemplo, símbolo maior da obra de Evans, é repleta de elementos que escondem outros significados. O meio sorriso, com a boca fechada, por exemplo, parece evidenciar que a mulher possuía dentes dos quais não se orgulhava. Os olhos marcados, parecem que foram obrigados a enxergar, de forma direta, a luz dura do interior americano por muitas vezes. É evidente que ela não é feliz, é evidente que é miserável. Nada mais precisa ser dito.

Façam o teste, interpretem esta imagem de Evans e comentem aqui. Vamos ver quantas visões e quantos detalhes diferentes uma mesma imagem pode conter

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Video Pauta – Deslizamento de terra no Morro do Macaco

Estava tranquilo em São Paulo, o dia tinha tudo para ser sossegado. De repente, recebi um telefonema, uma pauta em Diadema. A informação era que havia um deslizamento de terra no Morro do Macaco, divisa de Diadema com São Paulo. Até então, sabia-se que uma pessoa havia morrido e mais seis estavam soterradas.

Chegando lá, a área estava toda isolada pela PM e os bombeiros. O maior desafio foi encontrar pontos de visão para poder fotografar as buscas. Consegui diversos ângulos, a maioria deles parecidos, sempre de longe, do alto.

No fim, havia apenas duas pessoas soterradas, e não seis. Uma criança e uma adolescente grávida.

A foto foi capa no Metro ABC e Metro SP. Ontem, o portal Band divulgou um aperitivo dessa vídeo pauta

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Fotografia básica: Diafragma

O diafragma é um dispositivo que regula a entrada de luz na câmera. Normalmente se localiza na objetiva e, dependendo de sua abertura, deixa mais ou menos luz sensibilizar o sensor.

O diafragma é composto por um conjunto de laminas justapostas que se abrem e fecham de forma circular. A lógica é simples, quanto mais aberto o dispositivo, mais luz entra.

Em situações menos iluminadas, a praxe é abrir o diafragma, para que uma maior quantidade de luz possa entrar.

O problema é que quanto mais aberto o diafragma, menor a profundidade de campo conseguida na imagem. Profundidade de campo é a amplitude da região em foco na imagem. Esse assunto será abordado com mais profundidade quando o assunto for foco.

Por hora, é importante saber que, normalmente, retratos ficam melhor com baixa profundidade de campo e paisagens com um vasto campo de foco. É claro que tudo depende do que se quer mostrar e como. Não existem regras preestabelecidas em fotografia.

O valor da abertura máxima e mínima do diafragma varia dependendo da objetiva. Existem lentes com abertura, por exemplo, de f1.4 (bem aberta) que fecham até f22 (bem fechada), lentes que abrem até f5.6 e fecham até f16.

O diafragma e o obturador trabalham juntos, se há pouca luz e se pretende muita profundidade de campo deve-se aumentar o tempo de exposição (diminuir a velocidade) e fechar o diafragma. Para menor profundidade de campo o ideal é abrir o diafragma e dimimuir o tempo de exposição.

Não perca o workshop de fotografia básica

Exemplo de alta profundidade de campo

Exemplo de baixa profundidade de campo

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Inez e Vinoodh, Muito além de fotografia de moda

Foto da exposição

Sábado fui à exposição Pretty much Everything do casal de fotógrafos holandeses Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin. Os fotógrafos estão entre os mais cultuados do universo da moda. A exposição mostra bem o porque. São 286 fotos irretocáveis, inspiradoras, ousadas e originais. Por muitas vezes, as imagens extrapolam o rótulo de “fotografia de moda” e podem muito bem serem classificadas como fotografia contemporânea.

As obras são de diversos trabalhos, vão de retratos de artistas famosos, editoriais de moda e intervenções e colagens dos próprios artistas (muitas delas no melhor estilo construtivista).

O método de trabalho da dupla é muito curioso, ambos fotografam ao mesmo tempo. Quem dirige as cenas é a Inez, enquanto Vinoodh fotografa, meio que de forma voyeurística, de ângulos diferentes. Na coletiva de imprensa do lançamento da exposição, eles disseram que essa é uma forma de agilizar o trabalho, uma vez que, ao fotografarem celebridades ocupadíssimas, cada foto não pode demorar mais do que 20 minutos.

Sabendo desse detalhe, tentei adivinhar de quem era cada foto. A tarefa se mostrou mais complicada do que parecia. Em algumas imagens era bastante óbvio, mas em outras era um pouco mais difícil.

Tentei também reconhecer os movimentos artísticos que os influenciaram em cada imagem (recomendo esse exercício sempre) e percebi que além do construtivismo, abusam do surrealismo e o pop art. Também da pra notar elementos pictorialistas, principalmente nos retratos.

Além das fotos, há algumas esculturas dos artistas, são imagens transpassadas de arames. Há também intervenções nas fotos, são desenhos, pinturas e pedaços de tecidos colados nas obras (características muito presentes no dadaísmo).

Infelizmente, não é mais possível visitar a exposição, que ficou aberta ao público do dia 19 de junho até domingo, 3 de julho. Antes disso, somente os convidados do SPFW puderam apreciar as obras.

Se quiserem saber as exposições que estão rolando, me sigam no twitter, sempre que fico sabendo de algo, divulgo por lá.

Como a NET ainda não conseguiu resolver o problema na internet aqui em casa, estou um pouco ausente do twitter, mas assim que tudo for resolvido, volto pra lá para bater papo sobre fotografia.

Dessa forma, aproveito para divulgar a exposição Bom Retiro e Luz, um Roteiro, 1976-2011 (com imagens de Bob Wolfenson, Cia de Foto e Cristiano Mascaro),que abre hoje, às 20:00, no Centro de Cultura Judaica (rua Oscar Freire, 2500, SP). Infelizmente não poderei ir à vernissage, mas pretendo passar por lá um outro dia.

Amanhã (nesse sim, vou com certeza) tem palestra com o redator chefe da National Geographic Brasil, Matthew Shirts, que falará sobre como a revista incorpora a fotografia em sua missão editorial. O evento vai acontecer na Fnac Pinheiros (Praça dos Omaguás, 34, SP), às 19:30. Nos encontramos lá

Inez e Vinoodh

Inez e Vinoodh

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Cubismo, a fotografia sem emoção

Uma das fotos mais ilustres de Paul Strand

 

O movimento cubista foi inaugurado oficialmente quando Paul Strand publicou fotos em close up de diversos motivos, as imagens eram completamente abstratas. Na época, Stieglitz considerou as fotos como estupendas e anunciou que a fotografia finalmente estava livre das amarras da pintura.

Ao contrário do que pode aparentar, a fotografia cubista não se caracteriza só pelo uso de formas geométricas, muito pelo contrário.

Este tipo de fotografia buscava se afastar da pintura utilizando as capacidades e propriedades únicas da fotografia. Para Strand, a principal diferença da fotografia para a pintura é a objetividade que a câmera fotográfica imprime (sabemos, e imagino que Strand também sabia, que a fotografia não é objetiva, mas acredito que ele queria dizer que a pintura pode ser modificada, o pintor pode pintar uma árvore a mais ou a menos, por exemplo, na fotografia isso não é possível, ou não era). Na prática, as fotos cubistas não eram manipuladas, muito focadas (as pictorialistas usavam um foco suave) e não sentimentais, buscavam simular uma falsa objetividade. Por isso receberam a alcunha de “Fotografia Direta”, também foi introduzido o abstrato, o emprego de formas geométricas como parte do enquadramento e o grotesco (um bom exemplo de uso do grotesco é Diane Arbus, nascida em 1923, no auge do período cubista, Arbus fotografava com esse caráter).

O artista “fingia” revelar apenas os fatos, sem interpretações, o que na verdade, não ocorria. Uma vez que sua interferência já se mostrava presente simplesmente na escolha dos fatos. E essa escolha caracteriza muito o período cubista. As imagens sempre mostravam a decadência das sociedades, a pobreza, talvez isso acontecesse devido ao período em que esse estilo obteve seu momento mais importante, durante a depressão econômica). A posição dos personagens e o enquadramento sempre dava ao visualizador a impressão de que havia mais a ser dito do que o quadro poderia mostrar. À grosso modo, a fotografia cubista se caracteriza pelo olhar sem emoção por parte do fotógrafo, o não envolvimento emocional entre fotógrafo e fotografado

Com o cubismo, as primeiras imagens começaram a invadir os jornais e revistas, o documentarismo e o fotojornalismo apareceram, (na forma que conhecemos) nesse período.  O cubismo também é conhecido como o protótipo da fotografia modernista.

Além de Paul Strand, outros fotógrafos se destacaram nesse estilo. Walker Evans, Robert Capa, Ansel Adams e Dorothea Lange, são os mais importantes (pretendo fazer posts sobre Capa, Evans e talvez Adams)

Exemplo de como Strand utilizava as formas geométricas

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