A vida imita a arte? a fotografia imita a pintura

Retrato tipicamente pictorialista de Stieglitz

Com todos esses aprimoramentos tecnológicos na fotografia, a facilidade em se reproduzir imagens com absoluta perfeição colocou em cheque o futuro da pintura. Muitos achavam que o pintor não era mais necessário, já que agora qualquer um poderia pintar com a luz momentos e paisagens com muito mais fidelidade ao real. Muitos pintores acabaram se tornando fotógrafos, uma vez que já possuíam uma cultura imagética refinada.

Outros começaram a pensar na pintura de forma diferente, logo surgiu o movimento impressionista, de Monet e, a partir daí, a pintura se livrou da necessidade de retratar fielmente a realidade e pode seguir um caminho mais artístico (já vimos que os impressionistas contaram com grande ajuda de Nadar).

Outra discussão era se a fotografia deveria, ou não ser considera arte. Cabia ao equipamento apenas registrar ou interpretar a realidade (Essa discussão ocorre até hoje, há os que acreditam que a fotografia deve representar o real e os que apostam na foto como uma representação do irreal, vide o post sobre a Geração 00)?

Com isso, dois grupos se formaram, o The Linked Ring, em Londres e o Photo Secession,nos EUA, liderados por Alfred Stieglitz. Ambos tinham como objetivo o reconhecimento da fotografia como uma das belas-artes. Para isso, praticavam uma fotografia conhecida como pictórica, que buscava dar elementos de pintura para a imagem, algumas utilizavam, inclusive, relevos e texturas diferenciadas.

A fim de dar caráter de arte à obra fotográfica, os artistas da época passaram a sofrer influencia direta do impressionismo, que prega todo o quadro como forma de arte, não somente o desenho. A imagem deixa de ter a necessidade de ser fiel ao real, os desenhos deixam de ter um contorno bem definido e passam a ser manchas ou borrões se apreciados com atenção.

A fotografia pictorialista minimiza a importância da fotografia, o que importa é o objeto artístico, a fotografia é apenas parte da produção desse objeto.

As fotos eram totalmente manipuladas durante a revelação, muitas vezes se usavam diversos negativos para compor uma única foto, a chapa sofria todo o tipo de manipulação, raspagens, esfregadas, desenhos e etc. Os principais temas do pictorialismo são os cenários bucólicos e os retratos, sempre seguindo as regras de composição da pintura.

Em contra ponto a esse estilo de fotografia, surgiu a escola naturalista, comandada por P.H. Emerson. Ele dizia que a imagem pictorialista visava copiar a pintura e que, na verdade, a fotografia deveria tentar se aproximar do olhar humano. Era preciso fotografar o que se via, da forma como se via. As imagens naturalistas não são exageradas e manipuladas como as pictóricas. Por tentar simular o olho humano, o foco seletivo é bastante usado nessa modalidade de fotografia.

As diretrizes para a fotografia naturalista foram publicadas no livro “Fotografia Naturalística para Estudantes de Arte” Para Emerson, a fotografia poderia ser considerada arte sem precisar se apropriar de elementos característicos da pintura.

Por fim, os pictorialistas viam na fotografia apenas um meio para chegar ao objeto artístico, já para os naturalistas a fotografia era, já em si, o fim a atingir.
Assim, os pictorialistas minimizam o valor da fotografia, utilizando-a como ferramenta em toda a sua plenitude. Enquanto os naturalistas são “puristas” e acreditam no valor da fotografia em si mesma, utilizando-a de uma forma direta.

É impossível classificar a fotografia contemporânea, devido ao grande número de movimentos que a a influenciam, mas acredito que o pictorialismo é uma forte tendência. O fato de tratar a foto como parte de uma obra e não como a obra em si.

Imagem naturalista de Emerson

Anúncios

Sobre André Americo

Sou jornalista e fotógrafo, trabalho no jornal Metro ABC
Esta entrada foi publicada em Grandes mestres, História da Fotografia, Referências Fotográficas, Retratos com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

Uma resposta a A vida imita a arte? a fotografia imita a pintura

  1. Pingback: Inez e Vinoodh, Muito além de fotografia de moda | Por trás da objetiva

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s