O mundo distorcido do pós guerra

Foto da série Distortions de Andre Kertesz

A vontade de se tornar máquina influenciou tanto os artistas da época que outro movimento foi criado, o dadaísmo (incluo aí o surrealismo e o construtivismo, pois os três surgiram na mesma época e confundem-se), que apoiado na interdisciplinaridade artística, rompeu com as formas e o conceito de arte para a época. O exemplo mais claro disso foi a obra “Fountain”, de Marcel Duchamp, que nada mais é do que um mictório de ponta cabeça (Stieglitz fotografou a obra o que legitimou o objeto como arte). Dessa forma, o dadaísmo considerava válida toda a expressão humana, inclusive a involuntária, e a considerava forma de arte. A principal técnica utilizada no período foi a de fotografar sem o uso da câmera, apenas através do contato de um material sensível à luz com um objeto. A inspiração era industrial e mecanicista, explorava a capacidade do abstrato na fotografia. O movimento preparou o terreno para estilos vanguardistas como o surrealismo, o construtivismo e o pop art. O principal expoente desta técnica era o soviético Alexsander Rodchenko, que foi o primeiro a utilizar a fotografia como forma de propaganda política e a aplicar conceitos do design em suas imagens (Rodchenko terá um post só pra ele, em breve)

O construtivismo e o surrealismo surgiram logo em seguida. O primeiro consistia no emprego de fotomontagens, que consistia em unir diversas imagens a fim de formar uma única. Recortava-se de uma fotografia impressa, colava-se em outra e a refotografava.

Já o surrealismo, tinha como proposta criar imagens mais do que reais. A idéia da fotografia surrealista era representar sonhos, sentimentos, loucuras. Seus representantes abusavam das distorções óticas, usavam múltiplas exposições, montagens, solarizações (que consistia em, quando a foto está em processo de revelação, acender rapidamente as luzes. Isso fazia com que apenas partes da imagem fossem veladas). O principal mestre dessas técnicas, tanto a de fotografar sem a câmera, quanto o emprego da solarização era Man Ray (também terá um espaço só seu por aqui). As distorções óticas eram a especialidade de André Kertesz, fotógrafo húngaro que também se destacou por ser um dos pioneiros da linguagem fotojornalística. Seu maior trabalho com cunho dadaísta foi a série “Distortions”, onde fotografou as modelos Najinskaya Verackhatz e Nadia Kasine nuas. As 200 imagens que compõem a série apresentam distorções causadas por aberrações e ilusões óticas.

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Sobre André Americo

Sou jornalista e fotógrafo, trabalho no jornal Metro ABC
Esta entrada foi publicada em Fotojornalismo, Grandes mestres, História da Fotografia com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

2 respostas a O mundo distorcido do pós guerra

  1. Excelente, André. Aliás toda a série de posts sobre história da fotografia.

  2. Pingback: Inez e Vinoodh, Muito além de fotografia de moda | Por trás da objetiva

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