I Fórum de Fotografia na Panamericana

Imagem da campanha da Nikon, assinada pelo CIA de Foto

Ontem aconteceu o I Fórum de Fotografia da Escola Panamericana. O evento teve como pano de fundo o lançamento dos cursos de graduação e pós em fotografia. É mais uma opção de faculdade de fotografia para quem mora em São Paulo. Não sei o quanto é válido uma formação única em fotografia, talvez a pluralidade de conhecimentos seja mais importante, de qualquer forma, é um assunto polêmico e não tenho uma opinião 100% formada sobre isso (escrevi mais aqui).

Participaram do fórum os fotógrafos Cristiano Mascaro, Pio Figueroa, Tiago Santana e a curadora Rosely Nakagawa. Na primeira etapa, os participantes apresentaram seus trabalhos e falaram sobre as dificuldades que enfrentaram por não terem tido a possibilidade de estudar fotografia.

Tirando a parte da trajetória de cada um, que é muito interessante, mas não caberia reproduzir tudo aqui, separei alguns temas interessantes que os fotógrafos abordaram.

A Rosely Nakagawa, disse sentir que a maioria dos fotógrafos não pensa de forma ampla em seus trabalhos, se preocupam com a imagem mas não tanto com como a foto será apresentada em uma exposição ou livro. Ela diz que é importante pensar em todo esse processo de forma profissional, como um todo. Temos de levar em conta, entre outros detalhes, o formato da exposição, como as obras vão estar dispostas, a distância das imagens, a luz do ambiente, a luz que ilumina as obras, a estrutura da exposição.

Cristiano Mascaro ressaltou a importância das referências para a formação de um fotógrafo. Disse que é importante ter cultura, mesmo não relacionada a fotografia. Para ele “A imagem fala, para ser bom fotógrafo é necessário ter algo a dizer” (A meu ver, a frase mais importante de todo o fórum e deveria estar na cabeça de todo o fotógrafo no momento do clique, “o que quero dizer com essa foto?”)

Mascaro acredita que o fotógrafo interpreta a vida à sua maneira e que o olhar tem uma capacidade transfiguradora da realidade e que, para isso, é necessário saber ver. O fotógrafo apresentou exemplos de profissionais que ele admira, a maioria deles praticam o estilo street photography (o qual Mascaro é adepto) e ressaltou a capacidade desses artistas de descobrir uma força plástica e estética no simples e banal. Por fim, Mascaro deu um recado aos novos fotógrafos “Foto sem qualidade nem photoshop salva”, afirmou.

Tiago Santana considera a fotografia fruto de encontros, disse ser um processo de construção coletiva. Para ele, primeiro existe o encontro do autor com ele mesmo, depois com o lugar que serão feitas as imagens, com o objeto da fotografia, com outros autores, com o curador e por aí vai.

O trabalho só ganha forma e força depois que esses encontros são realizados e, deles, são colhidos os frutos que formarão o ensaio fotográfico. Para Santana, o tempo é outro aspecto fundamental para o desenvolvimento de um trabalho, ele diz ser necessário um período para refletir e maturar o projeto.

O fotógrafo também pontuou a importância da simplicidade na fotografia, ele acredita que a melhor forma de se passar uma mensagem é de forma simples e direta, à exemplo do escritor Graciliano Ramos. “A fotografia não foi feita para enfeitar, mas foi feita para dizer”, afirmou.

Pio Figueroa, que faz parte do coletivo CIA de Foto, apresentou os novos trabalhos realizados por ele e comentou como foi o processo de criação dessas obras.

O primeiro, foi o vídeo publicitário da Nikon (que está se estabelecendo no país), segundo Figueroa, o vídeo é completamente inédito e ainda não foi nem aprovado pelos diretores da fábrica japonesa (o que provavelmente vai acontecer porque o filme é belíssimo, fiquem atentos por que vale a pena). Um detalhe curioso é que o CIA de Foto trabalha com Canon, mas isso não vem ao caso.

Figueroa também revelou que haverá uma exposição (em conjunto com Bob Wolfenson) no Centro do Cultura Judaica, em São Paulo, que abre no dia 5 de julho, onde o bairro do Bom Retiro será o tema principal. O CIA resgatou imagens antigas do bairro e interferiu nas fotografias de forma a criar outras imagens.

Pessoalmente sou muito fã do trabalho do CIA de foto, eles são, sem dúvida nenhuma, umas das minhas principais referencias.

No fim, Fernando Schmitt, que irá lecionar na faculdade, ressaltou a importância do conhecimento pleno da técnica fotográfica. Para ele, tão importante do que dizer algo na fotografia é saber como dizer.

Para ele, a fotografia digital mudou a forma de pensar, aprender e fazer fotografia. E que a internet e o turbilhão de imagens que somos submetidos dia após dia mudou a forma com a qual vemos o mundo.

Todos concordaram que a principal dificuldade para a realização de um bom trabalho hoje em dia é a falta de tempo. Mascaro disse que não há tempo para refletir sobre um trabalho e que esse tempo de maturação é essencial na produção artística.

Anúncios

Sobre André Americo

Sou jornalista e fotógrafo, trabalho no jornal Metro ABC
Esta entrada foi publicada em exposições e eventos, Fotografia na teoria, Palestras com as etiquetas , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s