Cubismo, a fotografia sem emoção

Uma das fotos mais ilustres de Paul Strand

 

O movimento cubista foi inaugurado oficialmente quando Paul Strand publicou fotos em close up de diversos motivos, as imagens eram completamente abstratas. Na época, Stieglitz considerou as fotos como estupendas e anunciou que a fotografia finalmente estava livre das amarras da pintura.

Ao contrário do que pode aparentar, a fotografia cubista não se caracteriza só pelo uso de formas geométricas, muito pelo contrário.

Este tipo de fotografia buscava se afastar da pintura utilizando as capacidades e propriedades únicas da fotografia. Para Strand, a principal diferença da fotografia para a pintura é a objetividade que a câmera fotográfica imprime (sabemos, e imagino que Strand também sabia, que a fotografia não é objetiva, mas acredito que ele queria dizer que a pintura pode ser modificada, o pintor pode pintar uma árvore a mais ou a menos, por exemplo, na fotografia isso não é possível, ou não era). Na prática, as fotos cubistas não eram manipuladas, muito focadas (as pictorialistas usavam um foco suave) e não sentimentais, buscavam simular uma falsa objetividade. Por isso receberam a alcunha de “Fotografia Direta”, também foi introduzido o abstrato, o emprego de formas geométricas como parte do enquadramento e o grotesco (um bom exemplo de uso do grotesco é Diane Arbus, nascida em 1923, no auge do período cubista, Arbus fotografava com esse caráter).

O artista “fingia” revelar apenas os fatos, sem interpretações, o que na verdade, não ocorria. Uma vez que sua interferência já se mostrava presente simplesmente na escolha dos fatos. E essa escolha caracteriza muito o período cubista. As imagens sempre mostravam a decadência das sociedades, a pobreza, talvez isso acontecesse devido ao período em que esse estilo obteve seu momento mais importante, durante a depressão econômica). A posição dos personagens e o enquadramento sempre dava ao visualizador a impressão de que havia mais a ser dito do que o quadro poderia mostrar. À grosso modo, a fotografia cubista se caracteriza pelo olhar sem emoção por parte do fotógrafo, o não envolvimento emocional entre fotógrafo e fotografado

Com o cubismo, as primeiras imagens começaram a invadir os jornais e revistas, o documentarismo e o fotojornalismo apareceram, (na forma que conhecemos) nesse período.  O cubismo também é conhecido como o protótipo da fotografia modernista.

Além de Paul Strand, outros fotógrafos se destacaram nesse estilo. Walker Evans, Robert Capa, Ansel Adams e Dorothea Lange, são os mais importantes (pretendo fazer posts sobre Capa, Evans e talvez Adams)

Exemplo de como Strand utilizava as formas geométricas

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Sobre André Americo

Sou jornalista e fotógrafo, trabalho no jornal Metro ABC
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2 respostas a Cubismo, a fotografia sem emoção

  1. Sempre estou por aqui, bem loco o trampo abraço….

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